08 novembro, 2012

Portugal pode duplicar produção de castanha

Portugal é o segundo maior produtor europeu de castanha e tem capacidade para duplicar a produção que já representa 80 milhões de euros em exportações para a economia portuguesa, foi divulgado esta sexta-feira, em Bragança.

A cidade transmontana acolheu o V Fórum Internacional dos Países Europeus Produtores de Castanha e integra também a Terra Fria Transmontana, a região portuguesa que concentra 85% da produção nacional deste fruto.
As cerca de 30 mil toneladas que os agentes do setor esperam recolher na campanha deste ano em todo o país deverão garantir um rendimento "próximo dos 60 milhões de euros" aos produtores e ajudar a entrar na economia portuguesa "cerca de 80 milhões de euros" resultado das exportações a que se destinam 70% da produção.
Entre os produtores europeus, apenas a Itália tem mais castanha, com 40 a 45 mil toneladas, seguindo-se Portugal, depois a Espanha, com um pouco menos, e a França com dez mil toneladas, de acordo com dados apresentados por Albino Bento, do Centro de Investigação de Montanha, do Instituto Politécnico de Bragança.
Portugal tem condições para "produzir bastante mais, com castanha de muito boa qualidade e variedades com muita aptidão para a transformação industrial", segundo o investigador, sem necessidade de fazer mais plantações.
"Poderíamos caminhar um pouco mais no sentido de optimizarmos a produção naquela área que já temos, fertilizando um pouco melhor e, sobretudo quebrando a dependência do clima, regando um pouquinho. Com isso, provavelmente poderíamos quase duplica-la", defendeu.
Um dos principais empresários do sector em Trás-os-Montes, Vasco Veiga, que avançou os dados económicos do sector, não tem dúvidas de que a castanha "é a actividade agrícola, se calhar a única economicamente positiva".
O administrador da Sortegel, uma empresa que se dedica à recolha e transformação da castanha, a maior parte para exportação, realçou ainda a importância deste fruto "até na balança comercial portuguesa".
O fruto é exportado em fresco, sobretudo para os Estados Unidos da América, Brasil e Canadá e também para a Europa central e do Norte.
Países como a França e a Itália são os maiores consumidores da castanha portuguesa descascada e congelada.
O mercado nacional absorve 30% da produção, segundo o empresário, que aponta algumas dificuldades no desenvolvimento da fileira, nomeadamente a "falta organização e de rejuvenescimento dos produtores".
O sector reclama ainda ajudas específicas da União Europeia, no próximo Quadro Comunitário de Apoio, para o castanheiro que nunca teve apoios individuais como acontece com outras produções como o olival ou a vinha.
No fórum, foi ainda deixado um alerta para "a ameaça" de países como a China que produz cerca de um milhão de toneladas de castanha e que está a entrar no mercado europeu, sobretudo da comercialização de castanha descascada e congelada.
Publicado em 'Notícias ao Minuto'.

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